É com pesar que posto isto.
Todos os dias travamos uma luta infindável com as unidades do sistema, sejam elas do município , seja de outras ,do interior do estado.
Há normas específicas de regulacao para as transferencias, que têm o fundamento básico de garantir a responsabilidade médica sobre a transferencia e assim garantir o bem-estar dos pacientes, contudo teima-se em desrespeitar essas regras, o que nos parece que não é só por desconhecimento das normas, mas também por irresponsabilidade profissional (empurroterapia), aliado á falta de interesse em divulgar e cumprir estas normas.
Nao se justifica todo dia termos que nos indispor com enfermagem, assistentes sociais, médicos, administradores, tentando apenas cumprir as normas ministeriais da politica nacional de urgencia.
Hoje o Dr. Borba, nosso colega foi ameaçado por um colega de profissao, dizendo que iria fazer um B.O. contra o mesmo, quando ele apenas estava cumprido o seu dever profissional. Tivemos que ir a unidade mista munidos do manual de regulacao médica e apresenta-lo ao doutor e à diretora. Será se isso é também nossa funcao? Claro que não, mas até por defesa profissional estamos tendo que tomar essa atitude.
No mesmo plantao, foi transferido um paciente do Soc I, com suspeita de gripe h1n1 para o hospital de referencia, que depois constatou-se que tinha criterios enzimaticos para IAM; fomos novamente solicitados para fazer traslado de volta do paciente para o Soc I; Ao chegarmos na clinica medica (emergencia) do Soc I fomos logo encaminhados para a cardiologia.A mesma examinou o paciente e perguntou porque esse paciente nao tinha ficado no H.Geral; falamos que isso tambem tinha sido questionado por nós junto ao plantonista, mas o mesmo nos informou que era ordem da direcao, que nao aceitasse pacientes cardiacos, pois nao ha suporte tecnico para os casos; entao a Dra cardiologista vociferou, dizendo que havia servico de cardiologia no H. geral e que o caso nao era de IAM e que deveriamos retornar para o mesmo.Dissemos que nao iríamos fazer novamente aquela remocao, pois o paciente nao era uma bola de ping-pong e tive que usar da força da palavra para que ela entendesse que o Soc I e seus medicos precisavam se responsabilizar pelo paciente.
Acho que está mais do que na hora de sentar os diretores das unidades junto com representantes do Samu ( principalmente os que põem a mao na massa) para resolver isto.
Mais uma vez conclamo nossa direçao, na pessoa do Dr.Waston e Dr Santiago para vivenciar um plantao de regulacao/ intervencao para que os mesmos saibam dos dramas que se passa ao tentar regular no "caos".O nosso colega Rurion (chefe da regulacao médica) nao precisa, pois acredito que deva compartilhar das nossas opinioes; deste só pedimos coerencia.
Aguardamos os comentarios.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
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No exercício de nossa profissão (médico) temos encontrados barreiras incompreenssíveis, não justificadas, não racionais, que dificultam nosso caminhar. A maneira como o sistema de saúde identifica o SAMU é distorcida!Parece difícil visualizá-lo como um ferramenta complementar da rede. As pessoas ainda não compreenderam que o SAMU não faz parte da fisiopatologia da doença, e sim das etapas de diagnóstico, tratamento e prognóstico. Por várias vezes, temos recebido reclamações dos colegas em relação à receptividade dos hospitais de urgência de São Luís, em especial o Socorrão I e II, onde os conflitos se apresentam maiores.O caso descrito acima é um exemplo típico que representa perfeitamente o problema que SAMU tem enfrentado.Só faltou dizer que no desfecho final da ocorrência o paciente ficou no Socorrão I, e nossa maca com colção ficaram retidas por falta de leito! Em função desse tipo de situação, solicitei à Diretora Administrativa do SAMU, Enf. Vânia, que agendasse uma reunião entre nós e os diretores do socorrão I e II, pretendemos discutir vários problemas que temos enfrentado e diagnosticado nessas unidades, bem como sugerir algumas alterações que favoreçam um desfecho melhor para os casos que são direcionados a essas instituições.Treinamento, capacitação do corpo médico-enfermagem da porta de entrada e a criação de salas de emergências funcionantes, afim de que se dê sequência no atendimento inicial.Insistiremos na redistribuição dos pacientes pelas unidades mistas, afim de desafogar as enfermarias.Buscaremos uma solução para o problema crônico de macas e ou colchões retidos. Em relação ao comportamento de certas colegas, devemos buscar um caminho ético para resolução de tais conflitos.Creio que a informação e formação são a base para se construir um conjuto de atitudes sólidas capazes de mudar a opinião e postura atual daqueles que desconhecem o papel indispensável do SAMU no atendimento às Urgências. Por fim, agradeço ao colega Dr.Wesley por sua disponibilidade em trazer à tona essas situações, para que possam ser tomadas as medidas adequadas.De fato, precisamos de suas sugestões, reclamações,queixas e opiniões, para buscar soluções! Em tempo, informo que estou me recuperando de uma cirurgia de apendicite que me submeti na quinta-feira,29 de abril. Um abraço a todos!
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ResponderExcluirObrigado Waston, pela resposta.
ResponderExcluirFicamos aguardando a reuniao.
No mais torço que voce se estabeleça o mais breve possível. Sua postura serena e ética é importante. Precisamos tê-lo ao nosso lado, o lado dos Jedis.