domingo, 22 de agosto de 2010

Bebês a bordo.

Ora! Todos sabemos que os médicos não somos super-homens,pelos menos os que nao são daquelas especialidades cujos profissionais se acham deuses (mas esse nao é o foco). Há serviços de Pediatria na cidade , que pelas deficiencias inerentes do local, principalmente no que tange a equipamentos (tomografia, ecocardiograma,etc) e ausência de serviço especializado (uti) solicitam remocoes para hospitais onde essas necessidades serao satisfeitas.O problema disto é que os profissionais do Samu sao obrigados a transportar crianças e bebes graves, os quais nao estamos acostumados, e isso independe de treinamento (como é utilizado como argumento pelos pediatras e neonatologistas solicitantes).Os solicitantes acabam por uma questao de conforto, nao aceitar as prerrogativas da Sociedade de Pediatria e Puericultura que visa proteger o paciente pediatrico , e recusam-se a acompanhar a equipe do Samu.Alem do mais, como aconteceu esta semana, ainda jogam a familia contra nós, numa atitude mais anti-ética ainda que a própria recusa em acompanhar o transporte destes pacientes. Parece que teremos agora que fazer denuncias ao CRM, para garantir o que já está determinado em Manuais de Regulacao, nos Cursos de Regulacao Medica, nas orientacoes da Sociedade de Pediatria e Puericultura, no Estatuto da Criança e no Código de Etica Médica.Contudo esse problema há muito se alastra e as tentativas de resolver o problema nao contam com a participacao dos principais atores envolvidos, ou seja, nós medicos da Samu, que sofremos todos os dias o estresse desse tipo de situacao.Gostaria de lembrar que já vi colegas Pediatras, e até de terapia intensiva pediatrica ficarem extremamente inseguros em transportar esses "pacientinhos" para realizar exames, mesmo que lidar com estes sejam o seu cotidiano, o que não acontece conosco.Nao nos furtamos de realizar as nosssas obrigacoes, mas queremos a garantia do exercio ético da funcao, e exigir a presença do profissional pediatra é nosso direito inalienavel, visando antes de tudo a protecao de neonatos e da infancia. Por fim, independente da postura administrativa, decidimos fazer uma consulta ao nosso conselho de classe, até para que em situacoes futuras tenhamos um balizamento das nossas posturas, tao distante do que parece que é julgado como pessoal. Com a palavras os seguidores da administracao e os colegas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Longa Distancia entre a Teoria e a Prática

Parece que a conformação é o caminho, talvez a medíocre maturidade. Tentar ser um inergúmeno, fingir-se de morto, para poder suportar o descaso.
O hiato entre as bases teóricas e ideológicas do nosso sistema de saúde e sua realidade prática é abissal, público e notório. Carece de uma celeridade no processo, na qual nao tenho (em minha pressa autoritária) tempo pra esperar. Amargo uns tantos dias revoltosos, indignado, quase solitário, com a sensacao de que mais que os pacientes, estamos também abandonados.A justiça cega não ve os culpados, aliás atira nos técnicos, nos que menos tem culpa. Ou será que também temos culpa? Ah!Sim! Tambem temos culpa.Culpados somos pelo nosso silencio cumplice, culpados somos por nos esconder-mos nas dificuldades, culpados somos por nao assumirmos os desafios.Culpados são os outros, em outras palavras, diria Dante.
Creio que nosso modelo, nossa legislacao, exportada para países desenvolvidos, fará sucesso e vingará bem mais cedo, pois lá a lei é cumprida.
Tento, até nas palavras , silenciar, mas a comichão de viver, de se incomodar com o errado, ainda me permite tecer considerações.
Um dia pretendo, tentar descobrir, porque é mais forte ,quem sabe mentir; diria um poeta. E eu tento me aproximar , pra ser feliz, dos motivos porque me tornei um tolo,por opção.
E a fogueira profética , um dia virá assar as consciencias dos impuros.